Matéria e clipping: Valorização da ciência popular e da diversidade marcam encontro de quilombolas, indígenas e povos tradicionais em MT
O 1º Seminário Internacional de Povos Tradicionais, Quilombolas e Indígenas reuniu, dias 18 e 19 de março, em Cáceres e Tangará da Serra, educadores, pesquisadores e estudantes para falar sobre saberes cultura popular e ciência. O evento contou com a participação especial da professora Teresa Cunha, da Universidade de Coimbra, em Portugal, que é referencia no mundo em formação, qualificação e aperfeiçoamento acadêmico. Doutora em Sociologia com atuação em pós-colonialismos e cidadania global, ela percorre países que passaram por processos de colonização, como o Brasil, e que ainda enfrentam desafios históricos e sociais, para deixar uma mensagem de valorização de saberes diversos. Sua palestra reforçou que a cultura popular é uma força que precisa ser reconhecida por cada pesquisador.
Em sua fala provocativa, lançou a reflexão: “Será que o mundo é pequeno ou grande?” - instigando o público a repensar as fronteiras do conhecimento, do poder e da própria realidade social.
Ao abordar os desafios contemporâneos, destacou a importância de reconhecer o próprio contexto como ponto de partida para avançar. “O Brasil está longe das guerras de canhões, isso é verdade, mas precisa combater a fome e outros problemas, para que as coisas mudem para melhor para todos, todas e todes”, afirmou. Por outro lado, ressaltou, como ponto positivo, a energia vital que transborda no país, uma alegria contagiante.
Sua palestra foi um convite ao reconhecimento do potencial humano e à valorização das múltiplas culturas.
A coordenadora do projeto Mais Ciência na Escola em Mato Grosso, professora doutora da Unemat, Lisanil Conceição Patrocínio Pereira, realizadora do 1º Seminário Internacional de Povos Tradicionais, Quilombolas e Indígenas, agradeceu a importante participação da professora portuguesa, que atravessou o Atlântico para compartilhar sua experiência, e destacou o esforço de levar a ciência até onde o povo está.
Segundo Lisanil, os projetos que vem desenvolvendo busca incentivar jovens pesquisadores, especialmente indígenas, quilombolas, migrantes e estudantes de comunidades tradicionais, que muitas vezes vivem em locais de difícil acesso, onde o Estado falha. “É um trabalho que exige esforço, mas que move a nossa vida”, afirmou Lisanil, ao ressaltar que, com incentivo, muitos desses estudantes chegam à universidade e avançam na formação acadêmica, incluindo especialização, mestrado e doutorado.
A coordenadora do Programa de Pós-graduação Stricto Sensu em Geografia da Unemat, Sandra Mara Alves da Silva Neves, também destacou a relevância dessas iniciativas. “Ações como essas fortalecem a universidade e despertam o interesse de estudantes para a continuidade da formação acadêmica. Para nós, da Unemat, isso é muito importante. Parabéns à Lisanil e a todos os envolvidos”.
Dando exemplos de trajetórias que foram transformadas, emocionaram a todos os relatos das estudantes Reina Masabi e Glory Tomicha, da Bolívia, e Emiliana Matos, do Timor Leste, que compartilharam como a iniciação científica chegou para elas, dando esperança e perspectivas de futuro.
Paralelamente ao seminário, também foram realizados o 2º Circuito Intercultural em Educação Sul-Sul e a 2ª Mostra do Mais Ciência na Escola-MT.
Em Cáceres, a educadora popular Ana Caramello conduziu a oficina “Cinema na Palma da Mão” para alunos e professores do projeto, com o objetivo de oferecer ferramentas práticas para a criação de materiais criativos por meio da linguagem audiovisual. A proposta foi tirar ideias do papel e levá-las para a tela, culminando em uma produção experimental sobre as iniciativas desenvolvidas nas escolas.
Em Tangará da Serra, o circuito seguiu com atividades voltadas à popularização da ciência nas escolas, incluindo experiências com impressora 3D, produção ecológica e projetos escolares, ampliando o acesso ao conhecimento científico de forma prática e inclusiva.
Ao longo dos dois dias, o evento reafirmou a potência do intercâmbio intercultural como ferramenta de transformação social, aproximando ciência, educação e diversidade em um mesmo espaço de construção coletiva.
Clipping
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